quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

No Jardim de Infância da Ameixoeira

Estávamos em 1987.

Por essa altura, começava a falar-se, embora de maneira ainda incipiente, em Modelos Pedagógicos.

O "D.E.P.E." na altura o  Departamento da Direcção Geral do Ensino Básico do Ministério da Educação que coordenava os Jardins de Infância oficiais, atento ao facto, resolveu escolher quatro Modelos Pedagógicos: - o Modelo High-Scope, a Pedagogia de Projecto, a Pedagogia de Situação, e o Modelo do Movimento da Escola Moderna, para serem trabalhados experimentalmente em Jardins de Infância da rede pública.

Com o conhecimento de que eu ia regressar ao trabalho directo, o Jardim de Infância da Ameixoeira, foi um dos escolhidos para participar nessa experiência pedagógica. Era lá que iria ser implementado o Modelo do Movimento da Escola Moderna. Eu estava ao corrente do que iria ser proposto, e não nego que estava entusiasmada. Mas as outras colegas não sabiam nada do que as esperava.

Tinham-me pedido segredo absoluto, pois o projecto podia não se realizar. 

Hoje acho que foi uma perfeita loucura … um grupo de educadoras que não se conheciam de lado nenhum, juntas pela primeira vez, num local completamente desconhecido, aceitaram participar no projecto.

Por sorte (e muito trabalho), acho que a coisa correu bem!

Antes das férias do Natal, uma grande comitiva vinda da "24 de Julho", deslocou-se à Ameixoeira, para nos desafiar.

As colegas, quando lhes fizeram a proposta, aderiram de imediato, embora com algum receio. O projecto englobava também outras duas colegas, colocadas em Jardins de Infância do Alentejo. Teve a duração de dois anos lectivos, em que fomos acompanhadas teoricamente pelo Sérgio Niza.

Em Janeiro, lá começamos a trabalhar no projecto de implementar o Modelo do Movimento da Escola Moderna.

A balançar entre a teoria e a prática.

Começámos com a teoria, um monte de fotocópias de textos, para em equipa irmos lendo e discutindo.

Pude verificar, que tal como me tinha acontecido a mim, muitas vezes as colegas tinham dificuldade em enquadrar a teoria na prática. Apesar de tudo, acho que a minha presença ajudou nessa tarefa.

Uma vez por mês, lá ia o Sérgio Niza fazer o ponto de situação. A Céu André e a Francisca,educadoras a trabalhar em Jardins de Infância do Alentejo, vinham na camioneta, apanhada em Serpa, de madrugada.


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