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sábado, 19 de dezembro de 2015

O Movimento da Escola Moderna para Iniciados

Já tinha dito que um dia iria aqui escrever sobre o Movimento da Escola Moderna, ou MEM como é mais conhecido. Como o blogue se intitula “A Escrita na Vida de Uma Educadora”, nada melhor do que socorrer-me de um trabalho de grupo, feito no âmbito do Mestrado em Administração e Gestão Educacional da Universidade Aberta. O grupo era constituído por mim, e pelos colegas Carla Mendes e Vítor Augusto. Como não queria um texto académico, tentei depurá-lo o mais possível. Uma pequena bibliografia virá no final.
Mas não pensem que é fácil fazer um texto simples, autêntico, dada a complexidade que a estrutura do MEM apresenta.
Essa complexidade deriva de vários factores:
O MEM assume-se como uma Associação de Profissionais de Educação de todos os graus de ensino, (da educação Pré-Escolar ao ensino Universitário), que tem como principais finalidades, a auto formação cooperada dos seus associados, através da constante partilha e reflexão sobre as práticas pedagógicas e os materiais que vão elaborando, bem como a construção de propostas de educação e de formação democráticas, ensaiadas no quotidiano escolar com os alunos.
Os sócios, por sua vez, propõem-se desenvolver práticas educativas homólogas das que vão vivenciando na formação cooperada. Esse modelo de práticas educativas vai sendo ensaiado e aferido nas trocas sistemáticas de experiências e saberes entre os associados.

Para tornar ainda mais complicada a nossa explicitação, o MEM tem: - Um Passado; Uma História; Uma Cultura; que intimamente interligados, contribuem para se perceber o que é hoje o Movimento da Escola Moderna.

É um texto um pouco longo, no entanto espero que possa ajudar.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Na Voz do Operário

Se há locais de trabalho que ficam no nosso coração, a escola “Voz do Operário” da Ajuda foi um deles.

As Escolas “Voz do Operário” eram um pouco aquilo que hoje se considera como um Agrupamento de Escolas. Havia a Escola Sede, situada na Graça, e depois havia mais seis escolas.

A nossa, a nº 6 da Ajuda, era uma escola pequena, quatro professoras do 1º ciclo, e eu no Jardim de Infância. Todas tão diferentes, mas sabendo aproveitar e pôr em comum o que cada uma tinha de melhor.

Estive lá cinco anos, e foi de facto o meu grande local de aprendizagem, em termos profissionais e do Movimento da Escola Moderna.

Toda a equipa trabalhava segundo os mesmos princípios, havia inter-ajuda, discutíamos o trabalho realizado, e procurávamos fundamentar teoricamente as nossas opções. Trabalhar ali era um desafio constante!

Considero que tive a sorte de ver na prática, como se desenrolava a aprendizagem da escrita e da leitura, desde a 1ª à 4ª classe e entender todo um processo.


E gradualmente, no confronto diário com as colegas, embora de outro nível de ensino, no trabalho constante de aferir práticas, com os colegas da APIA (Associação de Protecção da Infância da Ajuda), que também pertenciam ao MEM, nas reuniões do Movimento, fui interiorizando e percebendo o que tinha lido teoricamente, e não tinha conseguido integrar.
  • Acolhia as falas das crianças, e registava-as sistematicamente (o que não costumava fazer até aí).
  • A escrita das falas, das histórias inventadas ou recontadas, dos projectos, das saídas, estava por todo o lado, transcrita por mim e ilustrada pelas crianças…
E aquilo que eu nunca tinha verificado aconteceu.

Aquelas crianças gostavam e queriam escrever.

E eu encantava-me com a escrita delas!