quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Na Voz do Operário

Se há locais de trabalho que ficam no nosso coração, a escola “Voz do Operário” da Ajuda foi um deles.

As Escolas “Voz do Operário” eram um pouco aquilo que hoje se considera como um Agrupamento de Escolas. Havia a Escola Sede, situada na Graça, e depois havia mais seis escolas.

A nossa, a nº 6 da Ajuda, era uma escola pequena, quatro professoras do 1º ciclo, e eu no Jardim de Infância. Todas tão diferentes, mas sabendo aproveitar e pôr em comum o que cada uma tinha de melhor.

Estive lá cinco anos, e foi de facto o meu grande local de aprendizagem, em termos profissionais e do Movimento da Escola Moderna.

Toda a equipa trabalhava segundo os mesmos princípios, havia inter-ajuda, discutíamos o trabalho realizado, e procurávamos fundamentar teoricamente as nossas opções. Trabalhar ali era um desafio constante!

Considero que tive a sorte de ver na prática, como se desenrolava a aprendizagem da escrita e da leitura, desde a 1ª à 4ª classe e entender todo um processo.


E gradualmente, no confronto diário com as colegas, embora de outro nível de ensino, no trabalho constante de aferir práticas, com os colegas da APIA (Associação de Protecção da Infância da Ajuda), que também pertenciam ao MEM, nas reuniões do Movimento, fui interiorizando e percebendo o que tinha lido teoricamente, e não tinha conseguido integrar.
  • Acolhia as falas das crianças, e registava-as sistematicamente (o que não costumava fazer até aí).
  • A escrita das falas, das histórias inventadas ou recontadas, dos projectos, das saídas, estava por todo o lado, transcrita por mim e ilustrada pelas crianças…
E aquilo que eu nunca tinha verificado aconteceu.

Aquelas crianças gostavam e queriam escrever.

E eu encantava-me com a escrita delas!


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