sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Saudades ou o Que é Isto da Relação Com o Meio

Vocês não conhecem a Irmã Piedade, nem com certeza a irão conhecer, mas hoje deu-me para pensar nela, e no seu contributo para a minha formação.
Quando fui trabalhar para a Outurela, o 25 de Abril ainda estava fresco, correspondendo a uma certa euforia geral, e ao despertar em mim de uma consciência politica, aliada a algum populismo.

Estando a trabalhar num Colégio Particular, fui desafiada para ir trabalhar no Centro Social e Paroquial Nossa Senhora da Conceição. Centro esse que servia a população de três bairros degradados: Outurela, Barronhos e Salregos.

Trabalhar com as crianças deste “Meio” aliciou-me. Nem medi os prós e os contras. E lá fui! De vinte e cinco horas semanais passei a trabalhar trinta e seis, a ganhar o mesmo, a pagar transportes, a ter menos férias… Mas ia contente! Aquilo correspondia a uma certa “missão” que eu na altura achava que tinha que cumprir.

Que desilusão! Não queriam mais uma educadora para melhorar o trabalho pedagógico, mas unicamente para corresponder a uma exigência da Segurança Social de ter sempre pessoal técnico a cobrir uma exorbitância de horário.

A São e a Angelita, Auxiliares de Educação, acolheram-me de braços abertos, apesar de o meu cargo ter o nome pomposo de “Educadora Coordenadora”, o que na prática se traduzia a dividirmos entre nós três, e por duas salas, sessenta crianças em pé de igualdade...


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